quarta-feira, 23 de maio de 2012

Telescópio ajuda a entender impacto de explosão solar sobre a Terra

O telescópio espacial Kepler vem fornecendo novos dados sobre as colossais explosões que podem afligir algumas estrelas. 

Estes lançamentos enormes de energia magnética --conhecidos como "super flares" (superchamas, em tradução literal) --podem danificar a atmosfera de um planeta em órbita nas proximidades, colocando em risco as formas de vida que eventualmente residam ali. 

Felizmente o Kepler mostra que as superchamas são muito menos frequentes em estrelas de baixa rotação, como o nosso Sol.

Nasa
As explosões solares podem interferir em estrelas vizinhas; acima, imagem obtida pelo telescópio Kepler
As explosões solares podem interferir em estrelas vizinhas; acima, imagem obtida pelo telescópio Kepler
O telescópio da agência espacial dos Estados Unidos, a Nasa, é capaz de observar 100 mil estrelas em um pedaço de céu entre 600 e 3.000 anos-luz da Terra. As novas observações são relatadas na revista "Nature" desta semana. 

A maior explosão solar registrada foi provavelmente o evento conhecido como "Carrington", em 1º de setembro de 1859. 

Descrito pelo astrônomo inglês Richard Carrington, a explosão enviou uma onda de radiação eletromagnética e partículas carregadas em direção à Terra. 

Os campos magnéticos embutidos na bolha de matéria atingiram o próprio campo magnético do planeta, produzindo luzes espetaculares, semelhantes à aurora boreal. Os campos elétricos gerados interromperam as comunicações por telégrafo na época. 

Surpreendentemente, a explosão solar Carrington é insignificante se comparada a alguns dos eventos observados pelo Kepler. As superchamas podem ser 10 mil vezes mais fortes. 

INTERAÇÃOES MAGNÉTICAS
O Kepler busca rastrear mudanças na luz gerada pelas explosões que possam indicar se planetas em órbita mudaram de posição em relação a estas estrelas. Mas, ao fazer essas observações, o Kepler também está reunindo informações sobre o brilho repentino associado às superchamas. 

Hiroyuki Maehara, da Universidade de Kyoto, no Japão, e seus colegas revisaram os dados para compilar estatísticas sobre a frequência e o tamanho das explosões. O Kepler observou um total de 365 durante 120 dias. 

Os números confirmam que muito poucas (0,2%) estrelas semelhantes ao Sol apresentam ocorrências desta magnitude. 

Isso pode ser explicado por padrões que indicam que as superchamas podem ser causadas por interações magnéticas entre planetas gigantes e as estrelas --algo diferente do que vemos em nosso Sistema Solar, no qual Júpiter e Saturno orbitam longe do Sol. 

Uma outra observação interessante do Kepler é de que as estrelas que têm superchamas exibem áreas de baixa temperatura extremamente grandes, em contraposição às altas temperaturas em seu entorno.
Carrington identificou um conjunto de pontos de baixa temperatura associados à famosa explosão solar de 1859. No entanto, estes pontos seriam ínfimos se comparados com os associados às superchamas vistas por Kepler. 

Os cientistas há muito especulam sobre o impacto que uma superchama em nosso Sol pode ter na Terra. A expectativa é de que o fenômeno varra a camada de ozônio, levando ao aumento da radiação ao nível do solo. Extinções generalizadas poderiam acontecer. 

Há um outro lado disso, no entanto. Em alguns sistemas planetários distantes, as superchamas podem gerar condições para existência de vida, fornecendo energia suficiente às atmosferas desses mundos para iniciar a química necessária para o desenvolvimento biológico. 

Temos como intuito postar notícias relevantes que foram divulgadas pela mídia e são de interesse do curso abordado neste blog. E por isso esta matéria foi retirada na íntegra da fonte acima citada, portanto, pertencem a ela todos os créditos autorais.
 

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